Ana Paula Padrão, o Jeitinho e o Complexo de Vira-latas


O jornalismo Vira-latas

Em recente coluna na IstoÉ, a Jornalista Ana Paula Padrão critica a organização da Copa e diz ter vergonha do Brasil

Ana Paula Padrão

Em recente coluna na revista IstoÉ a jornalista Ana Paula Padrão critica duramente a organização do Mundial aqui no Brasil e diz que prefere sair do País antes do início da competição. Para a jornalista todos os países que sediaram o Evento da FIFA souberam aproveitar a boa oportunidade e fizeram um trabalho sério, menos o Brasil.

Mesmo de saída, Ana Paula Padrão não deixa de participar criticando duramente o evento e tudo que lhe rodeia. O texto é ornamentado de termos como: falta de organização, gastos em excesso, infraestrutura pobre, jeitinho brasileiro, espertos, contradições, polêmicas, puxadinho, tapeação, entre outras tantas coisas negativas. Não vamos colocar aqui no Blog todas as palavras derrotistas da jornalista, mas você pode ler caso queria clicando aqui.

Vergonha do Brasil

Declarações como essas lembram sempre o texto do Nelson Rodrigues sobre o Complexo de Vira-latas. Reproduzo a seguir um trecho que considero merecedor de destaque para essa ocasião que a jornalista critica o Brasil comparando a Nossa Copa com os outros mundias que ela participou no exterior que não lhe causaram vergonha alguma.

Nelson Rodrigues dizia que:

…temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “com plexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores…

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas

Com toda essa bagunça e corrupção descrita pela jornalista parece que nada vai dar certo durante a Copa. Sobrou até para os aeroportos, algo como infraestrutura pobre, termo já citado mais acima. Curiosamente, pipocam na mídia notícias mostrando que nem todos os Brasileiros compartilham desse sentimento derrotista, fazendo parecer que, se você não tem dinheiro para ir para a Grécia durante a Copa, terá que sofrer toda a humilhação diante dos poderosos e exemplares estrangeiros. Uma vergonha como diria o saudoso Bóris Casoy.  Certamente faltaria assento, mais que isso, faltaria avião para levar tanto Vira-lata para fora do  Brasil.

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Para Ana Paula Padrão a moça da foto está deslumbrada por besteira, o Aeroporto gringo é muito melhor.

No G1 o o analista Geraldo Bonfim diz estar acostumado a viajar com frequência para o exterior e conhecer aeroportos internacionais. Tirou várias fotos em seu celular, acredita que o Brasil não vai ficar devendo em nada no que depender do novo terminal. Leia a matéria completa clicando aqui.

Captura de tela 2014-06-10 às 15.20.03

Alexandre Marini  que é licenciando em Sociologia escreveu um texto bastante esclarecedor a respeito desse sentimento muitas vezes oculto, não percebido.

Ele diz que:

A visão que Ana Paula Padrão ajuda a disseminar e que marca todo um povo não é muito diferente daquela que costuma criminalizar o preto pobre ao mesmo tempo em que é condescendente com o branco classe média. Vê com desprezo nossas dificuldades, entende que isso é culpa de um povo que não sabe se comportar e fecha os olhos para as vicissitudes alheias daquele país a que desejaria pertencer ou estar e que são inúmeras. Bastaria, para isso, abandonar o olhar turístico que tanto encanta os viajantes para saltarem à evidência os mesmos problemas e tantos outros que nem conhecemos.

O cinismo desse preconceito está em vários exemplos do nosso dia-a-dia, como em sobrevalorizar o “gato” que o pobre faz para ter luz elétrica em casa enquanto ignora a imposição de custos altíssimos para a produção de energia que inviabilizam a conta de quem não tem como arcar com a conservação de seus alimentos ou iluminação básica dentro de casa enquanto o desperdício elétrico é notável em qualquer lugar que você vá ou olhe. Ou apontar que o brasileiro não é pontual em suas reuniões e compromissos (e que sempre dá um jeitinho de mesmo assim acontecer ou participar) sem trazer à lembrança toda a dificuldade por que passa desde o momento que sai de sua casa até seu destino.

É importante dizer que o “jeitinho brasileiro” é um processo de reação face a algo que vem de cima. Não é uma “característica” negativa do brasileiro que faz com que as engrenagens não funcionem direito, mas sim, a própria estrutura de poder (lembre-se, vem de cima) que causa uma deformação que viabiliza ações não cívicas no cotidiano. E mesmo se tratando de poder, ele é repleto de jeitinhos. Inclusive além dessas terras: aparece no lobby legalizado nos EUA, nas negociações de mercado americano e europeu, na tentativa de corrupção para viabilizar aumento dos lucros (Alstom e Siemens são exemplos recentes) e tantos outros que chegam até aqui e nos afetam a ponto de transformar nossa maneira de lidar com as coisas.

O jeitinho não é brasileiro, pois não é só nosso. Não adianta pegar um avião e mudar de país: esse “jeitinho” não funciona.

Leia o texto completo clicando aqui.

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6 comentários sobre “Ana Paula Padrão, o Jeitinho e o Complexo de Vira-latas

  1. A imprensa brasileira, na verdade, não existe, a considerar-se o conceito de imprensa livre e plural. O Brasil também não tem jornalistas de verdade, capazes de expressar uma opinião verdadeiramente própria e livre, na acepção em que o jornalismo realmente profissional é exercido em outros países mais desenvolvidos e com maior democracia de comunicação social do que que o nosso.
    Temos, quando muito, bons redatores e âncoras, que se auto-denominam “jornalistas”, mas que recebem prontos os scripts, os roteiros, as pautas e as linhas editoriais. Cabe a cada um destes profissionais encaixar os fatos, as notícias, as análises, dentro do “molde editorial” que lhes é imposto pela direção da respectiva rede de comunicação, para então apresentar o resultado final deste amoldamento ao distinto público, com sua assinatura de “jornalista”. mas isto lá é jornalismo?
    A Ana Paula Padrão não foge à regra. Ela nada mais faz que cumprir sua tarefa, que não é em essência “jornalística”, de expressar, como se fosse sua, a opinião do dono da rede que lhe paga os salários. Ela jamais ousaria agir de forma diferente. Porque não sobrevive no Brasil o jornalista que não segue o tacão editorial dos seus patrões. Este jornalista, no Brasil, acaba na rua, à margem da profissão. A Ana Paula, a propósito, já sentiu na pele o sabor deste descarte, quando teve que sair da Rede Globo. Será esta atividade dela o autêntico exercício do jornalismo? Evidente que não. O que temos no Brasil são bons falsos-jornalistas, ou pseudo-jornalistas. Todos com a missão de tutelar a interpretação dos fatos ao grande público, de acordo com o pensamento dos seus patrões. Um jornalismo tutelar que a tudo interpreta e analisa, como se o grande público fosse incapaz de, por si só, construir sua interpretação individual sobre os fatos.
    No Brasil, apenas 7 famílias controlam 7 impérios de comunicação, dentro de um sistema monárquico (as empresas passam de pais para filhos). São impérios empresariais que controlam praticamente todas as televisões abertas, todas as rádios AM e FM, todos os jornais, revistas e meios impressos.
    Evidentemente, não há democracia na comunicação social privada brasileira, nem pluralismo de idéias. Prepondera neste meio a ditadura e onipotência da opinião única, que é a dos poderosos donos dos conglomerados empresariais que a controlam, opinião esta que, longe do interesse público, atende primeiro aos interesses empresariais das próprias empresas de comunicação, atende depois aos interesses dos apaniguados e associados delas, e, por fim, aos interesses de seus grandes e poderosos anunciantes e apoiadores políticos. Não raro, os políticos são os próprios donos desta imprensa. O interesse público, quando é atendido, está no último lugar nas prioridades do que é publicado.
    Somente com a criação de um marco regulatório da imprensa é que o Brasil irá avançar neste setor e democratizar sua comunicação social. Até lá, para quem quiser manter-se verdadeiramente informado, existe a Internet, como mídia plural, sem controle, sem tutela, através da qual as informações fluem livres dos filtros corporativos.

    Curtido por 2 pessoas

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