Brasil é criticado porque cresce e incomoda, diz Ministro


Brasil é criticado porque cresce e incomoda, diz Ministro

Ministro sugere que Brasil é alvo da imprensa porque ‘cresce e incomoda’

Vinicius Lages e Dilma
Da BBC Brasil em São Paulo
Atualizado em 26 de maio, 2014 – 07:28 (Brasília) 10:28 GMT

O ministro do Turismo, Vinícius Lages, sugeriu em entrevista à BBC Brasil que a cobertura da imprensa internacional sobre os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil reflete o fato de o país ser uma “força política” e uma “economia que cresce e incomoda” no cenário internacional.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil opinaram que o Brasil estaria vivendo uma espécie de “crise de imagem” às vésperas do Mundial (ler matéria aqui). O assunto também foi discutido com leitores e correspondentes internacionais no #SalaSocial (ver página aqui) na semana passada.

“Mesmo que estivesse tudo redondo, sempre iam achar alguma coisa para colocar a lupa”, afirmou o ministro, que assumiu a pasta há três meses.

“Põe os holofotes na periferia de Paris e Londres. Perto dos Jogos Olímpicos, Londres também enfrentou manifestações.”

Segundo o ministro, o Mundial estaria sendo “bombardeado” por um “canhão de mídia” também dentro do país.

“É todo o dia bombardeio: ‘Ninguém quer Copa, ninguém quer Copa’. Isso não é verdade”, afirma Lages.

Lages opinou sobre o tema em entrevista exclusiva à BBC Brasil. A seguir os trechos em que explica seu ponto de vista:

BBC Brasil – O senhor vê um excesso de negativismo na imprensa internacional em relação ao país?

Vinícius Lages – Sem dúvida. Nos últimos dez anos enfrentamos a questão da desigualdade e da extrema pobreza. O governo fez investimentos em infraestrutura e geração de emprego que se sobrepõem a qualquer uma dessas imagens que a mídia internacional tem construído. Olhe o que temos hoje de infraestrutura turística… nunca tivemos isso.

Evidentemente, ocorreram atrasos (nas obras da Copa), mas isso não impede que a gente reconheça que o Brasil está em uma situação muito superior do que há dez anos. Foram criados mais de 20 milhões de empregos formais, houve redução de 70% na pobreza extrema. Se você tem aqui e ali alguma obra não concluída ou estádio que ainda não ficou pronto… é claro que poderíamos sim ter feito um esforço maior para estar dentro do cronograma. Mas mesmo que estivesse tudo redondo, sempre iam achar alguma coisa para colocar a lupa.

O Brasil tem feito um esforço de sair de uma condição de um país subalterno e de um posicionamento mais reativo no contexto internacional para ser mais protagônico em vários contextos. É uma economia que cresce e incomoda. Uma força política que cresce. Olha na Europa o que está acontecendo. O recrudescimento da xenofobia… Então você desloca (o foco da imprensa). “Vamos para o Brasil, vamos achar um mosquito (referência à dengue), um estádio inacabado”. Põe os holofotes na periferia de Paris e Londres. Perto dos Jogos Olímpicos, Londres também enfrentou manifestações. Houve incêndios, ataques.

Vivemos um momento importante de consolidação do processo democrático, temos eleições, tudo isso faz parte de um mosaico. Não queríamos só imagens bonitinhas, jardins floridos e tal, mas pelo menos que reconheçam o esforço. O Brasil realiza uma Copa de escala sem precedentes, que integra doze cidades. Não tenho dúvida que a síntese da imagem (do Brasil na Copa) será a de um país hospitaleiro, acolhedor, um lugar para se celebrar.

BBC Brasil – Não há o risco de a imagem que sair da Copa ser negativa?
Lages – Pode até sair na mídia algo que possa ser prejudicial à imagem do país, mas o que importa é que o turista estrangeiro ou o turista brasileiro que visitar uma cidade-sede será bem acolhido. Na Copa das Confederações, com todas as manifestações e as imagens que foram projetadas (pela imprensa), 75% dos que visitaram o Brasil disseram querer voltar.

A minha expectativa é que, mesmo com um contexto que possa ser retratado como um problema, com esses atrasos, manifestações, com algum mosquito novo que apareceu, vamos mostrar a imagem de um país acolhedor, hospitaleiro, que realizou uma belíssima Copa e foi capaz de fazer dessa experiência esportiva também uma experiência turística muito agravadável. Eles (os turistas) vão querer voltar e vão falar bem do Brasil.

BBC Brasil – Faltam apenas dez dias para o início dos Jogos. Vocês esperavam um clima de mais entusiasmo a essa altura?

Lage – Acho que já começamos a ver (esse entusiasmo). Mais de 400 mil brasileiros já participaram do Tour da Taça, por exemplo. Agora, querer que a gente fique fazendo demonstração de patriotismo, de ufanismo só para sair na foto de uma capa de uma revista internacional é tolice.

Temos outras questões para nos preocupar neste país do que ficar tentando demonstrar que temos o mesmo grau de patriotismo dos anos 70. Este é um país de 200 milhões (de habitantes), somos uma sociedade mais complexa, mais amadurecida em suas manifestações. Mas logo, logo vai estar todo mundo na frente da televisão, nos estádios, celebrando, isso faz parte da nossa cultura. Em Brasília temos ruas pintadas, você já vê nos parques as pessoas caminhando com a camisa (da seleção).

Sei que esse momentum é distinto de outras Copas. Eu não estava aqui em 1950, não sei como foi. Talvez as pessoas pensassem que por (a Copa) ser aqui já deveria estar todo mundo de verde e amarelo, mas (o clima de festa) vai pegar. Talvez não na intensidade que a mídia quer para tirar uma foto de capa, mas vai ter sim celebração e muita empolgação.

BBC Brasil – Impressiona o dado da Datafolha de que 55% das pessoas acha que a Copa trará mais prejuízos que benefícios para o país?

Lages – Também, com essa guerra, né? Dê para mim um canhão de mídia para todo dia dizer que não vai ser assim (sobre a empolgação para a Copa) que eu ganho o jogo. É todo o dia bombardeio: “Ninguém quer Copa, ninguém quer Copa.” Isso não é verdade.

Eu não levo essas pesquisas a ferro e fogo. (As respostas) dependem da pergunta que você faz, de como você contextualiza cada pergunta. As pessoas podem dizer: “Preferia que investissem em educação. Preferia que iluminassem a minha rua. Não quero a Copa porque queria aquilo.” Não é isso. O governo continuou investindo em educação, saúde, infraestrutura.

O investimento para a Copa não é expressivo se comparado com os investimentos sociais. Mas sempre vão aparecer os bilhões que foram investidos para a Copa. Esse não é um investimento desproporcional para se preparar para um evento dessa natureza. E daqui a pouco os milhões de brasileiros que viajam verão o benefício de estar em um país que acelerou investimentos, melhorou seus aeroportos e sua infraestrutura.

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